sábado, 31 de julho de 2010

Razão

A razão age com lentidão, e com tantas vistas, sobre tantos princípios, os quais é mister estejam sempre presentes, que a todo o instante adormece ou perde-se, deixa de ter todos os seus princípios presentes. O sentimento não age dessa maneira; age instantaneamente, e está sempre pronto para agir. É preciso, pois, depositar a nossa fé no sentimento; de outro modo, ela será sempre vacilante. O último passo da razão é o de reconhecer que existe uma infinidade de coisas que a ultrapassam; se não chegar a isso, é porque é fraca.

Blaise Pascal

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Viver

Sentir primeiro, pensar depois

Perdoar primeiro, julgar depois

Amar primeiro, educar depois

Esquecer primeiro, aprender depois

Libertar primeiro, contemplar depois

Navegar primeiro, aportar depois

Viver primeiro, morrer depois.

Mário Quintana

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Sentir

Saber de tudo de tudo. Ou tudo de algum saber. Decerto é impossível e mesmo indesejável. Mas que tu sintas que é bela a luz ou ouvir um pássaro cantar e terás sido absolutamente original. Porque ninguém pode sentir por ti.

Vergilio Ferreira

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Vida

Quando ouço música, a minha imaginação compraz-se muitas vezes com o pensamento de que a vida de todos os homens e a minha própria vida não são mais do que sonhos de um espírito eterno, bons e maus sonhos, e de que cada morte é o despertar.


Arthur Schopenhauer

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Segue o teu destino

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.

Fernando Pessoa

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Influenciar

Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros - é a única.


Albert Schweitzer



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Felicidade

A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo, buscar lá d entro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.

Mário Quintana

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sexta-feira, 30 de julho de 2010

Grande

Aqueles que seguem o que neles é grandioso são grandiosos; aqueles que seguem o que neles é insignificante são insignificantes. À mente cabe o o ofício de pensar. Pensando, ela obtém a visão correta das coisas, negligenciando o pensamento, ela fracassa nosso intento.
Apegue-se à superioridade da parte mais nobre de sua constituição e a parte inferior não será capaz de lhe tomar essa posição. É simplesmente isso que faz uma pessoa grandiosa.

Mêncio


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Pessoas

Não só as coisas acontecem com as pessoas, cada um gera também aquilo que acontece consigo. Gera-o, invoca-o, não deixa de escapar àquilo que tem de acontecer. O homem é assim. Faz, mesmo que saiba e sinta logo, desde o primeiro momento, que tudo o que faz é fatal. O homem e o seu destino seguram-se um ao outro, evocam-se e criam-se mutuamente. Não é verdade que o destino entre cego na nossa vida, não. O destino entra pela porta que nós mesmo abrimos, convidando-o a passar. Não há nenhum ser humano que seja bastante forte e inteligente para desviar com palavras ou com ações o destino fatal que advém, segundo leis irrevogáveis, da sua natureza, do seu caráter.

Sándor Márai

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Lula e Collor, Finalmente Juntos

José Lemos*
Eu e o meu irmão, únicos da prole comum dos nossos pais, recebemos ensinamentos sólidos que nos conduziram pela vida. Dona Amélia, a nossa mãe, era uma mulher de nenhuma posse, aparência frágil, sem instrução formal, nascida e criada no bairro do Ponte em Caxias, Maranhão. Ali, com duas mães de criação egressas do Ceará, tangidas por uma das graves secas, aprendeu fundamentos religiosos e domésticos que a fariam uma mulher de grande dignidade e a verdadeira fortaleza moral da nossa pequena e humilde família.
Católica praticante, a nossa mãe nos conduziu com fundamentos de respeito ao próximo, distanciamento de tudo que não se soubesse a origem. Quando crianças, não nos era permitido “achar” qualquer bem material. Uma vez “achado” tínhamos que devolver ao local onde o havíamos encontrado. Com essa simples e prática orientação aprendemos ainda cedo que somente poderíamos ter conquistas vindas do nosso trabalho.
Trabalho que iniciamos ainda na fase tenra da vida, e isso não nos impediu de, ancorados nos ensinamentos que aquela mulher nos deu, construir um futuro e dar um salto qualitativo nas nossas vidas. Sempre que tínhamos qualquer desvio de conduta, a correção vinha com palmadas desferidas com as mãos, ou mesmo com um pequeno pedaço de “sola” de couro que mantinha em casa para essas eventualidades. Trabalhar enquanto criança, para ajudar no parco orçamento familiar, não nos criou problemas. Assim como não causaram “traumas” as “correções” que eram feitas com aquele pequeno pedaço de “sola”.
Jamais imaginaríamos, por aquela época, que atos assim seriam “criminalizados” no Brasil, enquanto lesar o patrimônio público, enriquecer sem trabalhar, ser honorável bandido, iriam passar “desapercebidos”, desde que praticados por figurões que tenham proximidade de quem tem poder. Não havia duas categorias de cidadão explicitadas pelo próprio Presidente da República. Os “comuns” que cumprem as leis, trabalham arduamente, controlam o orçamento para caber em cada mês. Mas também têm os “incomuns” para os quais a legislação do País não se aplica. Podem acumular riqueza sem jamais terem demonstrado capacidade empresarial, ou sem trabalhar, ou sem ter talento reconhecido em qualquer setor. Enriquecem à custa dos cofres públicos. Fazem malabarismos incríveis para estarem sempre por perto de poderosos. Quando são distanciados pela vontade popular, sempre aparecerão corpos de jurados ancorados em “fartos argumentos”, para lhes devolverem a condição que os meios democráticos haviam-lhes negado.
A minha mãe foi testemunha ocular e sofreu muito quando por ocasião da primeira eleição para Presidente da República em 1989 eu mergulhei de corpo e alma na campanha para levar para o poder um operário. Eu e milhões de brasileiros avaliávamos que mais do que eleger um homem com uma historia parecida com a de tantos brasileiros, o importante era não deixar que um aventureiro tomasse de assalto o poder. Sem trocadilhos.
Na época, a situação do candidato operário era menos confortável, de um ponto de vista financeiro, do que hoje, em que transformou-se num homem rico de um partido idem. Por isso, nós, militantes de todas as posses, financiamos parte da campanha comprando bandeiras, camisas, símbolos, adesivos, todo o material de propaganda. Contribuímos com informações na elaboração do programa de Governo. Na época a campanha se acirrou, ficou maniqueísta. Ou se era o “Bem” ou se era o “Mau”. O “Bem” significava estar do lado do candidato operário. O “Mau” significava estar do lado do candidato que era acusado de aventureiro pelo próprio adversário. O mesmo maniqueísmo de agora.
Perder aquela eleição foi um sofrimento muito grande para mim. Coloquei bandeira preta no meu carro. A minha mãe acompanhava o meu sofrimento e sempre dizia, na sua sabedoria, que todos eram iguais e que um dia estariam juntos.
Decorridos apenas 21 anos, os “inimigos” de 1989 estão bem juntinhos. O slogan da campanha de Collor para o Governo de Alagoas é uma pérola de criatividade: “Dilma apóia Collor, que é amigo de Lula, que apóia Collor e inventou Dilma”. Lindo!
Lula conquistou parte da minha simpatia e de tantos outros fazendo denuncias contundentes ao então Presidente da “Nova Republica”, cuja filha se auto-credenciou como a “Musa do Impeachment de Collor”. Hoje estão todos juntos, felizes e apoiando-se mutuamente. A vontade de se perpetuarem no poder os aproximou, os faz merecerem-se e lhes retira as diferenças. Se é que algum dia elas existiram. Acreditam, e tem razão, na falta de memória dos brasileiros. Tentam nos convencer que eles agora são o “Bem” e os outros são o “Mau”. Como fizeram em 1989 e eu, mais tantos outros, acreditamos.
Mamãe morreu em 1994 e não viu concretizar-se o que a sua sabedoria, sem escolaridade, profetizou e a minha ignorância, com escolaridade, não foi capaz de captar.

*Professor Associado na UFC.


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