Ao ler e ouvir, fá-lo com atenção; não disperses o entendimento, mas força-o a estar atento ao que faz e ao que tem diante de si, e não alhures. Se sai do caminho, chama-o de volta sem ruído, e guarda para outra ocasião os pensamentos alheios ao estudo. Sabe que perdes tempo e trabalho se não estás atento ao que lês ou ao que ouves. Não tenhas vergonha de perguntar o que não sabes, nem de aprender com outrem. Disso nunca se envergonham os homens insignes; antes, sim, de não saberem ou de não quererem aprender. Não te vanglories de saber o que não sabes, mas pergunta-o àqueles que acreditas o saibam. Se queres parecer sábio, trabalha por sê-lo, que para isso não há caminho suave. Semelhantemente, a maneira mais fácil de se parecer bom é sendo-o realmente.
Enfim, em todas as coisas, cuida de ser tal e qual desejas parecer, porquanto, de outro modo, assaz vão será o teu desejo. O tempo põe a descoberto o que é falso e fingido, e dá força à verdade; como se costuma dizer, não há mentira que não se descubra.
Juan Luis Vives
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sábado, 30 de abril de 2011
Verdade
Não devemos, de forma alguma, preocupar-nos com o que diz a maioria, mas apenas com a opinião dos que têm conhecimento do que é justo e injusto, e com a própria verdade.
Platão
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Platão
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Amar
Nunca amamos ninguém. Amamos tão somente a ideia de que fazemos de alguém. É um conceito nosso, em suma, é a nós mesmos que amamos.
Fernando Pessoa
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Fernando Pessoa
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Personalidades
Cada pessoa possui três personalidades: a que exibe, a que tem e a que pensa que tem.
Alfphonse Karr
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Alfphonse Karr
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Opinião
Existem pessoas, em grande número, que não conseguem ter, durante sua vida, mais do que uma ideia, e, por isso, não se contradizem nunca. Não pertença a essa classe. Eu aprendi davida, aprendo enuanto vivo. É possivel que rejeite no futuro minha opinião de hoje e a considere errônea e pergunte a mim mesmo: " Como pude ter, anteriormente essa opinião"?
Otto von Bismarck
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Otto von Bismarck
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sexta-feira, 29 de abril de 2011
Respeito
Nada existe de mais frágil do que uma criatura iludida a seu próprio respeito.
Torres Pastorino
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Torres Pastorino
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Aprendi
Eu aprendi...
...que ignorar os fatos não os altera;
Eu aprendi...
...que quando você planeja se nivelar com alguém, apenas esta permitindo que essa pessoa continue a magoar você;
Eu aprendi...
...que o AMOR, e não o TEMPO, é que cura todas as feridas;
Eu aprendi...
...que ninguém é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa;
Eu aprendi...
...que a vida é dura, mas eu sou mais ainda;
Eu aprendi...
...que as oportunidades nunca são perdidas; alguém vai aproveitar as que você perdeu.
Eu aprendi...
...que quando o ancoradouro se torna amargo a felicidade vai aportar em outro lugar;
Eu aprendi...
...que não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito;
Eu aprendi...
...que todos querem viver no topo da montanha, mas toda felicidade e crescimento ocorre quando você esta escalando-a;
Eu aprendi...
...que quanto menos tempo tenho, mais coisas consigo fazer.
(Boa noite , Amor )
William Shakespeare
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...que ignorar os fatos não os altera;
Eu aprendi...
...que quando você planeja se nivelar com alguém, apenas esta permitindo que essa pessoa continue a magoar você;
Eu aprendi...
...que o AMOR, e não o TEMPO, é que cura todas as feridas;
Eu aprendi...
...que ninguém é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa;
Eu aprendi...
...que a vida é dura, mas eu sou mais ainda;
Eu aprendi...
...que as oportunidades nunca são perdidas; alguém vai aproveitar as que você perdeu.
Eu aprendi...
...que quando o ancoradouro se torna amargo a felicidade vai aportar em outro lugar;
Eu aprendi...
...que não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito;
Eu aprendi...
...que todos querem viver no topo da montanha, mas toda felicidade e crescimento ocorre quando você esta escalando-a;
Eu aprendi...
...que quanto menos tempo tenho, mais coisas consigo fazer.
(Boa noite , Amor )
William Shakespeare
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Homem
O homem é um animal gregário. Político, dizia Aristóteles, ou seja, membro da cidade. Mas não só da cidade - de todas as greis espontâneas ou artificiais, estáveis ou precárias, onde quer que se encontre. Não pode suportar a idéia de estar só, consigo - quer ser unidade e não individualidade. Tem necessidade de se sentir cotovelo com cotovelo, pele com pele, no calor de uma multidão, ligado, seguro, uniforme, conforme. Se o leão anda só, em nós predomina o instinto ovino, do rebanho - os próprios individualistas, para afirmar o seu individualismo, congregam-se: sempre segundo a prática ovina. O homem, quando só, sente-se incompleto - tem medo. Opor-se à grei significa separar-se, permanecer só, morrer. Os conceitos do bem e do mal nascem da necessidade de convivência. É bem o que aproveita ao grupo, mal o que o prejudica ou não beneficia. O rebanho não quer que cada ovelha pense demasiado em si, e como a privilegiada é a que obtém a boa opinião das outras, vê-se forçada, ainda que contra os seus gostos e interesses, a agir no sentido do bem supremo do rebanho. Há que pagar, com a castração da personalidade, a segurança contra o medo.
Giovanni Papini
*
Giovanni Papini
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Vida
Releio passivamente, recebendo o que sinto como uma inspiração e um livramento, aquelas
frases simples de Caeiro, na referência natural do que resulta do pequeno tamanho de sua
aldeia. Dali, diz ele, porque é pequena, pode ver-se mais do mundo do que da cidade; e por
isso a aldeia é maior que a cidade..."Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura."
Frases como estas, que parecem crescer sem vontade que as houvesse dito, limpam-me de toda
a metafísica que espontaneamente acrescento à vida. Depois de as ler, chego à minha janela
sobre a rua estreita, olho o grande céu e os muitos astros, e sou livre com um esplendor alado
cuja vibração me estremece no corpo todo.
"Sou do tamanho do que vejo!"Cada vez que penso esta frase com toda a atenção dos meus
nervos, ela me parece mais destinada a reconstruir consteladamente o universo. "Sou do
tamanho do que vejo!" Que grande posse mental vai desde o poço das emoções profundas até
às altas estrelas que se reflectem nele e, assim, em certo modo, ali estão.
E já agora, consciente de saber ver, olho a vasta metafísica objectiva dos céus todos com uma
segurança que me dá vontade de morrer cantando. "Sou do tamanho do que vejo!" E o vago
luar, inteiramente meu, começa a estragar de vago o azul meio-negro do horizonte.
Tenho vontade de erguer os braços e gritar coisas de uma selvageria ignorada, de dizer
palavras aos mistérios altos, de afirmar uma nova personalidade larga aos grandes espaços da
matéria vazia.
Mas recolho-me e abrando-me. "Sou do tamanho do que vejo!" E a frase fica sendo-me a
alma inteira, encosto a ela todas as emoções que sinto, e sobre mim, por dentro, como sobre a
cidade por fora, cai a paz indecifrável do luar duro que começa largo com o anoitecer.
Fernando Pessoa
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frases simples de Caeiro, na referência natural do que resulta do pequeno tamanho de sua
aldeia. Dali, diz ele, porque é pequena, pode ver-se mais do mundo do que da cidade; e por
isso a aldeia é maior que a cidade..."Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura."
Frases como estas, que parecem crescer sem vontade que as houvesse dito, limpam-me de toda
a metafísica que espontaneamente acrescento à vida. Depois de as ler, chego à minha janela
sobre a rua estreita, olho o grande céu e os muitos astros, e sou livre com um esplendor alado
cuja vibração me estremece no corpo todo.
"Sou do tamanho do que vejo!"Cada vez que penso esta frase com toda a atenção dos meus
nervos, ela me parece mais destinada a reconstruir consteladamente o universo. "Sou do
tamanho do que vejo!" Que grande posse mental vai desde o poço das emoções profundas até
às altas estrelas que se reflectem nele e, assim, em certo modo, ali estão.
E já agora, consciente de saber ver, olho a vasta metafísica objectiva dos céus todos com uma
segurança que me dá vontade de morrer cantando. "Sou do tamanho do que vejo!" E o vago
luar, inteiramente meu, começa a estragar de vago o azul meio-negro do horizonte.
Tenho vontade de erguer os braços e gritar coisas de uma selvageria ignorada, de dizer
palavras aos mistérios altos, de afirmar uma nova personalidade larga aos grandes espaços da
matéria vazia.
Mas recolho-me e abrando-me. "Sou do tamanho do que vejo!" E a frase fica sendo-me a
alma inteira, encosto a ela todas as emoções que sinto, e sobre mim, por dentro, como sobre a
cidade por fora, cai a paz indecifrável do luar duro que começa largo com o anoitecer.
Fernando Pessoa
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Outra Marca Ruim Para o Maranhão
José Lemos*
Até o ano de 1989 a Organização das Nações Unidas (ONU) fazia a hierarquia ou o ranking do padrão de desenvolvimento alcançado pelos países, a ela filiados, utilizando o PIB per capita como referencia. A idéia implícita era que incremento do PIB acima do crescimento populacional era sinônimo de desenvolvimento.
Em fazendo assim a ONU colocava ombreados em padrão de “desenvolvimento” países tão desiguais como o Canadá com o Kwait, Arábia Saudita e Iraque, na época sob o domínio de Sadam Russein. Sim, porque os PIB per capita anuais desses países, grandes exportadores de petróleo, e do Canadá se equivaliam.
Arábia Saudita, Kwait, e Iraque são exemplos acabados de países com elevado padrão de concentração de renda. Discriminam fortemente mulheres, bem como práticas religiosas que não sejam aquelas proferidas por interesses bem definidos, e discriminam homossexuais. Alem disso, parte significativa das populações daqueles países eram e continuam sendo privadas de serviços essenciais como saneamento e educação.
Lógico que o equivoco era evidente. Tanto que em 1990 a ONU divulgou pela primeira vez o conceito de Desenvolvimento Humano. Este conceito è bem mais amplo e está ancorado em três bases fundamentais: longevidade, educação e renda. A justificativa é que para alcançar desenvolvimento humano, não basta apenas acumular riquezas, mas as populações “terem vida longa, saudável e beberem na fonte do saber”, como esta escrito no Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU de 1994.
Assim, ficava definido que apenas ter renda per capita elevada não era garantia de ser país desenvolvido. Precisava de muito mais. Até porque uma das características do não desenvolvimento é a renda apresentar evidentes disparidades intra e inter-regionais na sua apropriação nos países em estágio de subdesenvolvimento.
Com o novo conceito criado, a ONU também definiu o seu aferidor que é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Fiel ao que tenta calibrar, o IDH tem três (3) indicadores: Esperança de vida ao nascer, estoque de educação e renda per capita.
A esperança de vida ao nascer, vem ser a média de anos de vida da população de um país, estado, região ou município. A hipótese subjacente, e correta, é que: quanto maior for essa média, mais longeva será a população e melhores serão os padrões de desenvolvimento que usufruiu. Na prática afere-se este indicador estimando-se a média de idade em que as pessoas morrem no local para onde se quer estimar o IDH.
O estoque de educação é aferido utilizando dois sub-indicadores: percentagem de adultos alfabetizados, em que se consideram como adultas as pessoas maiores de quinze (15) anos. Também na composição deste indicador de educação entra o percentual da população maior de 10 anos matriculada em todos os níveis.
A renda per capita, neste caso, deve ser avaliada pela paridade do poder de compra a ela associado. Isso é feito depurando-se os desníveis que existam nos custos de vida entre os países, o que propicia fazer comparações de renda entre locais distintos.
O problema surge quando se quer aferir a esperança de vida ao nascer em locais de grande pobreza e exclusão social. America Latina, África e Ásia são pródigas na proliferação de locais assim. Em comunidades carentes, uma quantidade enorme de pessoas nasce, vive e morre sem qualquer registro. Em locais assim, as pessoas tendem a viver menos, justamente porque não tiveram acesso a serviços essenciais e a moradias dignas. Portanto, a esperança de vida tende a ser menor em locais pobres.
Uma característica adicional da pobreza, que está registrada no Relatório de Desenvolvimento Humano de 1997, é as famílias não terem recursos para proverem um funeral digno para os seus mortos. Por isso enterram-nos em “cemitérios clandestinos”. Esses cemitérios contaminam o lençol freático, de onde as famílias carentes retiram água para beber cavando poços. São evidentes fontes de contaminação ambiental.
O IBGE divulgou estatísticas para 2009 mostrando que a média brasileira de óbitos não registrados foi de 9,5%. A média do Nordeste, a maior entre as regiões brasileiras, foi de 24,5%. O Maranhão lidera este triste ranking nacional com 53,2% de óbitos não registrados, seguido por Roraima com 43%. Assim, o IDH maranhense, que em 2009 havia estagnado, sendo o segundo pior do Brasil, está super estimado. Isto porque a esperança de vida está mais superavaliada do que em qualquer um dos demais estados brasileiros. Caso fosse possível resgatar as idades das pessoas que constam dos sub-registros de óbitos, poderíamos registrar a situação real do IDH maranhense, que é bem mais trágica do que aquela publicada em documentos oficiais.
*Professor Associado na UFC.
Até o ano de 1989 a Organização das Nações Unidas (ONU) fazia a hierarquia ou o ranking do padrão de desenvolvimento alcançado pelos países, a ela filiados, utilizando o PIB per capita como referencia. A idéia implícita era que incremento do PIB acima do crescimento populacional era sinônimo de desenvolvimento.
Em fazendo assim a ONU colocava ombreados em padrão de “desenvolvimento” países tão desiguais como o Canadá com o Kwait, Arábia Saudita e Iraque, na época sob o domínio de Sadam Russein. Sim, porque os PIB per capita anuais desses países, grandes exportadores de petróleo, e do Canadá se equivaliam.
Arábia Saudita, Kwait, e Iraque são exemplos acabados de países com elevado padrão de concentração de renda. Discriminam fortemente mulheres, bem como práticas religiosas que não sejam aquelas proferidas por interesses bem definidos, e discriminam homossexuais. Alem disso, parte significativa das populações daqueles países eram e continuam sendo privadas de serviços essenciais como saneamento e educação.
Lógico que o equivoco era evidente. Tanto que em 1990 a ONU divulgou pela primeira vez o conceito de Desenvolvimento Humano. Este conceito è bem mais amplo e está ancorado em três bases fundamentais: longevidade, educação e renda. A justificativa é que para alcançar desenvolvimento humano, não basta apenas acumular riquezas, mas as populações “terem vida longa, saudável e beberem na fonte do saber”, como esta escrito no Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU de 1994.
Assim, ficava definido que apenas ter renda per capita elevada não era garantia de ser país desenvolvido. Precisava de muito mais. Até porque uma das características do não desenvolvimento é a renda apresentar evidentes disparidades intra e inter-regionais na sua apropriação nos países em estágio de subdesenvolvimento.
Com o novo conceito criado, a ONU também definiu o seu aferidor que é o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Fiel ao que tenta calibrar, o IDH tem três (3) indicadores: Esperança de vida ao nascer, estoque de educação e renda per capita.
A esperança de vida ao nascer, vem ser a média de anos de vida da população de um país, estado, região ou município. A hipótese subjacente, e correta, é que: quanto maior for essa média, mais longeva será a população e melhores serão os padrões de desenvolvimento que usufruiu. Na prática afere-se este indicador estimando-se a média de idade em que as pessoas morrem no local para onde se quer estimar o IDH.
O estoque de educação é aferido utilizando dois sub-indicadores: percentagem de adultos alfabetizados, em que se consideram como adultas as pessoas maiores de quinze (15) anos. Também na composição deste indicador de educação entra o percentual da população maior de 10 anos matriculada em todos os níveis.
A renda per capita, neste caso, deve ser avaliada pela paridade do poder de compra a ela associado. Isso é feito depurando-se os desníveis que existam nos custos de vida entre os países, o que propicia fazer comparações de renda entre locais distintos.
O problema surge quando se quer aferir a esperança de vida ao nascer em locais de grande pobreza e exclusão social. America Latina, África e Ásia são pródigas na proliferação de locais assim. Em comunidades carentes, uma quantidade enorme de pessoas nasce, vive e morre sem qualquer registro. Em locais assim, as pessoas tendem a viver menos, justamente porque não tiveram acesso a serviços essenciais e a moradias dignas. Portanto, a esperança de vida tende a ser menor em locais pobres.
Uma característica adicional da pobreza, que está registrada no Relatório de Desenvolvimento Humano de 1997, é as famílias não terem recursos para proverem um funeral digno para os seus mortos. Por isso enterram-nos em “cemitérios clandestinos”. Esses cemitérios contaminam o lençol freático, de onde as famílias carentes retiram água para beber cavando poços. São evidentes fontes de contaminação ambiental.
O IBGE divulgou estatísticas para 2009 mostrando que a média brasileira de óbitos não registrados foi de 9,5%. A média do Nordeste, a maior entre as regiões brasileiras, foi de 24,5%. O Maranhão lidera este triste ranking nacional com 53,2% de óbitos não registrados, seguido por Roraima com 43%. Assim, o IDH maranhense, que em 2009 havia estagnado, sendo o segundo pior do Brasil, está super estimado. Isto porque a esperança de vida está mais superavaliada do que em qualquer um dos demais estados brasileiros. Caso fosse possível resgatar as idades das pessoas que constam dos sub-registros de óbitos, poderíamos registrar a situação real do IDH maranhense, que é bem mais trágica do que aquela publicada em documentos oficiais.
*Professor Associado na UFC.
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