no estado do Ceará - 1970-2007
(média dos qüinqüênios)
No quinquênio 1970-74 , o rendimento médio da castanha de caju do Brasil que era de 387 kg/ha passou para 269 kg/ em 2005/07, acusando uma queda 31%, contra uma expansão, no mesmo período, de 69% para Índia, de 115% para Nigéria, de 61% para Tanzânia, de 187% para Vietnam e de 50% em relação à média mundial, ou seja, enquanto o mundo vem registrando incrementos nos rendimentos agrícolas de castanha de caju, o Brasil vem declinando. O Ceará registrou uma queda maior do que a média do Brasil (58% contra 31%). Esta informação é muito séria, pois demonstra que o Brasil vem perdendo espaço em uma cultura com forte aptidão para produção.
Neste momento, é importante lembrar que a Embrapa Agroindústria Tropical e a estação de pesquisas de Pacajus-CE é sem dúvida o maior e melhor centro de pesquisa de desenvolvimento de tecnologia de caju, de onde o que é considerada a melhor qualidade genética do caju é difundida para o resto do mundo. Por paradoxal que pareça, esta mesma tecnologia adotada com sucesso em outros países não é adotada no Brasil, exceto algumas variedades para produção de pedúnculo destinadas à comercialização in natura.
A redução do rendimento agrícola da castanha de caju no Ceará foi o resultado da queda do preço médio recebido pelo produtor a partir de 1990. Enquanto o preço médio recebido pelo produtor por tonelada de castanha de caju ficou praticamente estável entre US$396/ton em 1970/74 e US$406/ton em 2005/07, o preço médio de exportação da amêndoa da castanha de caju cresceu 207%, passando de US$1433/ton em 1970/74, para US$4406/ton em 2005/07. A relação de preço recebido pelo produtor de castanha de caju e o preço médio de exportação da amêndoa da castanha de caju, calculado em termos de média qüinqüenal, sofreu um forte declínio a partir de 1990, em prejuízo do produtor rural, cuja participação que era de 111% no período 1970-74, passou para 37% em 2005-07, ou seja, o preço médio recebido pelo produtor de castanha sofreu um expressivo declínio de 74%, inviabilizando a produção. Este dado revela que, enquanto os demais países expandem a produtividade e a produção, a produção de castanha de caju no Ceará e no Brasil ficou praticamente estagnada.
No caso do Ceará, a situação é bastante preocupante, pois a cajucultura constitui uma das bases da agricultura de exportação, de geração de emprego, renda e riqueza, cujo desempenho obtido no presente momento revela a ausência de uma política estadual consistente de sustentação do setor rural, onde subsistem quase um terço da população, engajado na produção e outro terço que trabalha na prestação de serviços para o setor, isto é, cerca de dois terços da população do Ceará ainda depende da economia rural.
Demartone Coelho Botelho
Economista e representante da UFC no GCEA/IBGE-CE
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