sexta-feira, 6 de março de 2009

Amigo

Ludovico Ariosto

Ninguém pode saber de quem é amado,

Quando senta feliz em cima da roda;

Porém que tem a seu lado os amigos verdadeiros e os fingidos que todos mostram a mesma fé.

Se depois o seu estado alegre se muda em triste

A turma aduladora vira as costas.

E aquele que ama de coração permanece forte

E ama o seu Senhor depois da morte.

*

Vida

Padre Antônio Vieira

A vida e o tempo nunca param, e, ou indo ou estando, ou caminhando ou parado, tudo sempre e com igual velocidade passamos.

*

Idade

Sêneca

Não devemos computar a idade pelos anos, senão pelos procedimentos. não há coisa mais torpe do que um velho que nenhuma outra prova tem de que viveu muito, mais do que a idade.

*

Desejo

Victor Hugo

Desejo primeiro que você ame, E que amando, também seja amado. E que se

não for, seja breve em esquecer.

E que esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo, pois, que não seja assim,

Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos, Que mesmo maus e inconseqüentes, Sejam

corajosos e fiéis, E que pelo menos num deles Você possa confiar sem

duvidar.

E porque a vida é assim, Desejo ainda que você tenha inimigos. Nem

muitos, nem poucos, Mas na medida exata para que, algumas vezes, Você se

interpele a respeito De suas próprias certezas. E que entre eles, haja

pelo menos um que seja justo, Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil, Mas não insuscetível. E que nos maus

momentos, Quando não restar mais nada, Essa utilidade seja suficiente para

manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante, Não com os que erram pouco, porque

isso é fácil, Mas com os que erram muito e irremediavelmente, E que fazendo

bom uso dessa tolerância, Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem, Não amadureça depressa demais, E que sendo

maduro, não insista em rejuvenescer, E que sendo velho, não se dedique ao

desespero.

Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e É preciso deixar

que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste, Não o ano todo, mas apenas um dia.

Mas que nesse dia descubra Que o riso diário é bom, O riso habitual é

insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra , Com o máximo de urgência, Acima e a respeito de

tudo, que existem oprimidos, Injustiçados e infelizes, e que estão à sua

volta.

Desejo ainda que você afague um gato, Alimente um cuco e ouça o

joão-de-barro Erguer triunfante o seu canto matinal Porque, assim, você se

sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente, Por mais minúscula que seja, E

acompanhe o seu crescimento, Para que você saiba de quantas Muitas vidas é

feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro, Porque é preciso ser prático.

E

que pelo menos uma vez por ano Coloque um pouco dele Na sua frente e diga

\"Isso é meu\", Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra, Por ele e por você, Mas que

se morrer, você possa chorar Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem, Tenha uma boa mulher, E que sendo

mulher, Tenha um bom homem E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes, e quando estiverem exaustos e sorridentes, Ainda haja amor para recomeçar.

E se tudo isso acontecer, Não tenho mais nada a lhe desejar

*

Crise

Einstein


Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar "superado".
Quem atribue à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la
*

Sucesso

Ambroise Bierce


Único pecado imperdoável a nossos semelhantes


*

Dádivas

Epicuro


De todas as dádivas que a natureza nos concede para que a nossa vida se tortne plena e feliz, a amizade é a mais bela.


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quinta-feira, 5 de março de 2009

PEQUENA HISTÓRIA DO MILHO HÍBRIDO

Pedro Sisnando Leite*

Apesar de a tecnologia agrícola ter mudado bastante nas últimas décadas, sobreviveram no Nordeste do Brasil alguns mitos quanto a viabilidade produtiva do semi-árido. Uma das pressuposições bem difundidas era de que o milho só teria chance no Ceará em regime de irrigação. Nos bancos oficiais, isto assumiu a forma de dogma, mesmo em anos recentes.

Enquanto prevalecia essa mentalidade teórica aqui, nos Estados Unidos e outros países da Europa, o desenvolvimento da cultura do milho híbrido ingressou na história como a mais fantástica revolução do aumento de produção desse cereal. O milho tornou-se, em tais paises, uma fonte de um alimento básico em diversas formas para as populações humanas e ração animal estratégica.

É impressionante o que se pode ver no sul da França, nas regiões de Languedoc-Roussilon, e em Provence. São cultivados nessas terras mais de 3 milhões de hectares desse alimento. Atualmente a produção de milho na América Latina é de mais de 300 milhões de toneladas, representando 63% de todos os cereais. Para granjear a posição de maior produtor mundial desse produto, os Estados Unidos começaram a introduzir novas linhagens híbridas, em 1933. Dez anos depois, cerca de 20% da área cultivada de milho nesse país já era de milho híbrido. No início da década de 50, passou para 100% da área plantada com esse grão. O mesmo correu na Europa, com defasagem de alguns anos.

Em julho de 1997 (A Luta pelo Desenvolvimento Regional e Rural no Mundo, Sisnando, BNB, 2006), em visita às regiões produtoras de milho de sequeiro, no Delta do Mississipi (USA), os extensionistas e os produtores quase não acreditaram que no Ceará não plantávamos essas linhagens de híbridos. Provaram-me com estudos e relatos pessoais que o milho híbrido proporciona aumentos fantásticos de rendimentos. Ele cresce de modo uniforme, tem hastes fortes e resistem à secas, doenças e insetos. Explicaram-me que na prática, usando sementes de alto poder genético em produtividade, mesmo com perdas substanciais por causa de veranicos, o resultados final é bem melhor do que com cultivo de variedades tradicionais de baixo rendimento.

Com base na observação dessas experiências, e na literatura mundial sobre o assunto, a então Secretaria de Desenvolvimento Rural do Ceará (1998) deu início a um programa pioneiro no Nordeste de modernização na produção de milho híbrido. Participaram dessa iniciativa a Associação Cearense de Avicultura e a Federação da Agricultura do Ceará (FAEC). A assistência técnica agronômica foi proporcionada pela EMBRAPA MILHO de Sete Lagoas (MG).

Em poucos anos, a produção de milho do Ceará tornou-se um exemplo de sucesso, levando o Estado ao segundo maior produtor de milho do Nordeste, somente ultrapassado pelo Estado da Bahia. Em 2002, com uma produção de 629 mil toneladas, o Ceará produziu quase duas vezes o que obteve o Maranhão, ou muito mais do que a soma de toda a produção do Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Poucas pessoas sabem disso! O mais impressionante, no entanto, foi o aumento da produtividade por hectare nos áreas onde ocorreu a substituição das variedades tradicionais por linhagens híbridas. Na região do Cariri, o salto foi de 500 kg/ha para 5.000. Em solenidade em Porteiras, em 10.07.1999, A Secretaria de Desenvolvimento Rural foi homenageada com a outorga de placa comemorativa com os seguintes dizeres: “Pela sensibilidade, visão, pioneirismo e espírito público, o reconhecimento da Monsanto, Braskalb e de todos aqueles integrantes no processo de melhoria da agricultura no Estado do Ceará”.

Esta homenagem deve ser estendida também à Associação de Produtores de Sementes do Ceará. De fato, a partir do ano 2.000 passaram a ser produtores de sementes de milho híbrido de alta qualidade para o Programa Hora de Plantar, da Secretaria de Desenvolvimento Rural. Mas quem realmente deve ser mais homenageado são os produtos de Santana do Cariri. Em concurso nacional, os produtores de milho híbrido desse município conseguiram ser classificados, em anos seguidos, como detentores da maior produtividade de milho do Brasil, em sistema de sequeiro, com cerca de 10 mil quilos por hectare.

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* Pedro Sisnando Leite é professor titular aposentado da UFC e foi Secretário de Desenvolvimento Rural do Ceará (1995-2002). Atualmente é Vice-Presidente do Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico).

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PIB nordestino deverá crescer acima da média

PIB nordestino deve crescer mais que a média, diz estudo

Carolina Mandl, do Recife

Jornal Valor Econômico, 05/03/2009

O consumo das famílias deve puxar o crescimento da região Nordeste neste ano para níveis acima da média do país, segundo a Datamétrica. Em relatório divulgado ontem, a consultoria apontou que em 2009 o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados nordestinos ficará em 3,12%, enquanto o país terá uma alta de 1,8%.

Pelos cálculos da Datamétrica, desde 2005 o Nordeste cresce acima da média. Em 2008, a consultoria prevê que o PIB da região aumentou 6,12%, ante 5,62% do país. Agora, mesmo em um cenário de crise, o movimento deve se repetir.

De acordo com Alexandre Rands, sócio da Datamétrica, os dois fatores que mais podem favorecer a região são o aumento do salário mínimo e a Bolsa Família. "Por terem um peso maior na região, eles podem amortecer o impacto da crise", diz Rands. Com um contracheque maior, o consumo familiar se elevará, ajudando a atividade da região.

Outros pontos também podem pesar a favor do Nordeste, segundo ele, como o fato de as indústrias terem uma importância menor para o crescimento do que no Sudeste, por exemplo. "Por enquanto a crise está afetando mais o setor industrial, que é menos significativo na região", afirma ele.

Além disso, políticas públicas de combate à crise podem favorecer mais os Estados nordestinos. "O governo Lula demonstra ter mais agilidade para gastos sociais do que com infraestrutura, por exemplo. E o Nordeste é mais beneficiado com isso, por ter mais pobres", avalia Rands.

O Estado que mais deve crescer em 2009 éPernambuco, com um aumento de 4,29%, puxado principalmente por empreendimentos privados que estão em fase avançada de obras, como o estaleiro Atlântico Sul, no litoral, e as fábricas da Perdigão e da Sadia, no interior. O menor aumento do PIB está estimado para Alagoas, com 2,14%, ainda acima da média nacional. Entre esses extremos estão Bahia (2,89%), Ceará (2,87%), Maranhão (2,97%), Piauí (3,03%), Sergipe (2,46%), Paraíba (2,83%) e Rio Grande do Norte (2,93%).

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quarta-feira, 4 de março de 2009

Saudade

Pedro J. Bondaczuk

Saudade profunda, pungente,

de ingênuas eras distantes.

O Tempo está tão diferente!

Não tem os encantos de antes.

É severa minha agonia,

meu frenético anseio

pela redenção do belo,

pela inocência perdida,

pela pureza, imaculada,

de um mundo, outrora virgem.

Reconstruo (só na memória),

momentos inolvidáveis,

em oníricos cenários,

com personagens ideais.

E a tristeza, tamanduá

bandeira, que me enlaça,

e oprime as costelas,

dói, por sabê-los sombras,

espectros, fantasmas,

desejos, quimeras,

passado, brumas, saudade,

decrepitude... e nada mais...

Anseio por outro mundo,

que já foi, mas não é mais,

sem este cheiro de morte,

sem esta adaga de sangue

que paira sinistra no ar

como espada de Damocles,

feroz território da ira.

Uma terra sem malícia,

sem violência e sem vício,

sem as fraquezas dos fortes,

sem a hipocrisia dos fracos.

Saudade profunda, pungente,

daquele mundo radioso,

meu paraíso existencial,

onde a beleza era um gozo,

o Amor, absoluto, real,

a esperança, estandarte

e a bondade, mais do que ideal!

Angustiado, abatido,

nesta negra noite fria,

compartilho da agonia

das Musas, da Poesia,

que, pouco a pouco,

golpe a golpe,

no medíocre dia a dia,

lentamente desertam...

E quando as Musas partirem,

lá para as bandas do Sul,

quando as trevas vadias

expulsarem toda a luz,

quando o último esteta

da beleza desertar,

serei retalho, esperança,

não mais do que vaga

e apagada lembrança

do Poeta de Alma Azul.

*